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Fieg reage com cautela à mudança na política de preços anunciada pela Petrobras

Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) reagiu com cautela ao anúncio pela Petrobras, esta semana, do fim da política de Preço e Paridade Internacional (PPI) para definição do preço do diesel e da gasolina, adotada pela estatal desde 2016

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26 de Julho de 2024

Agora as referências de mercado serão o custo alternativo do cliente como prioridade e o valor marginal para a Petrobras. Segundo a estatal, o mercado internacional ainda será levado em conta, mas com base em outras referências para cálculo.

Pelo sistema anterior, o preço dos combustíveis variava conforme o preço internacional do barril do petróleo e pela cotação do dólar. Assim, o preço dos combustíveis flutuava com as tensões do mercado internacional, mesmo que essas ocorrências em nada se relacionassem com o mercado interno.

Para o presidente da Fieg, Sandro Mabel, a nova proposta não está totalmente clara e delimitada. “O governo afirmou que para a definição dos preços passará a levar em conta o custo alternativo para o cliente (valor a ser priorizado na precificação) e o valor marginal para a Petrobras. O custo alternativo para o cliente contempla as alternativas de suprimento, ou seja, a decisão da Petrobras sofrerá influência dos preços correntes dos combustíveis. Enquanto isso, o valor marginal se mostra como o custo de oportunidade, impedindo que a companhia venda a um preço baixo demais ou menor que os custos”, afirmou.

O dirigente da indústria acrescentou que “a mudança em si ficou difícil de ser mensurada, pois faltam informações que delimitem essa nova política de precificação, como por exemplo, qual será o peso de cada fator no cálculo do preço ou ainda como se dará o reajuste no curto prazo ou, ainda, se haverá compromisso com o preço internacional, evitando-se uma disparidade. Mas é possível afirmar que deverá ocorrer uma redução das oscilações dos preços, que não mais estarão atrelados às variações do mercado internacional. Por outro lado, essa nova política pode diminuir a transparência e a previsibilidade”, ponderou Sandro Mabel.

Os economistas da Fieg Januária Guedes e Cláudio Henrique Oliveira detalham dados da Federação Única dos Petroleiros, segundo os quais a PPI gerou um aumento de 223,8% do botijão de gás de cozinha, 112,7% na gasolina e 121,5% no diesel. Para os economistas, com essa nova política de preços, a tendência é de que os aumentos sejam mais controlados, para não impactar tão fortemente a inflação, uma vez que combustíveis têm peso considerável na composição do IPCA.

Mas os economistas alertam que, se por um lado, espera-se uma menor volatilidade e oscilação dos preços, o que favorece o consumidor industrial, e de certa maneira reduz o impacto sobre os custos da produção, principalmente na logística e escoamento da produção, por outro lado, a decisão pode gerar uma apreensão nos acionistas, e até mesmo uma fuga de capital da companhia (falta de investimentos poderá ocorrer). “Ou seja, a sociedade deve ficar atenta com os novos comunicados e com a forma como essa nova política será conduzida, pois corre-se o risco de, em algum momento, a companhia praticar preços não competitivos, o que pode comprometer os resultados financeiros, ou mesmo não conseguir absorver a volatilidade do mercado internacional e transferir essa conta para o Tesouro Nacional. E isto já aconteceu no passado”, lembrou Januária Guedes.

23/05/2023
Por: Agência Saber Multimídia


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